08/12/2004

TCC faculdade de jornalismo

Morte de Vladimir Herzog completa 30 anos

Documentário de rádio em quatro capítulos, totalizando 55 minutos

Ricardo Muniz e Júlia Ferraz

O Documentário Herzog busca resgatar um episódio-chave para o início de um lento processo de desmantelamento da ditadura militar no Brasil. Além de detalhes da "tragédia catalisadora", é apresentada a pessoa de Vladimir Herzog. Uma nova visita a esse personagem, codificado em um produto jornalístico acessível como o documentário de rádio, tenta contribuir para a valorização da democracia entre aqueles que ignoram a história recente do Brasil, seja pela idade, seja por indiferença quanto aos custos humanos que foram pagos pela liberdade desfrutada há tão pouco tempo.

 


Não fosse a escolha do veículo rádio, seria muito difícil falar com Fernando Pacheco Jordão e com Luís Weis, amigos mais próximos de Herzog. Várias vezes ouvimos as respostas: “mas está tudo no livro do Jordão!”, “o livro do Gaspari explica bem aquele momento, vocês encontram tudo lᔠou “eu (Weis) já escrevi meu depoimento para o livro do Markun”. Ou seja, quase um “não amola, tudo já foi escrito sobre isso” (é verdade que o episódio das fotos publicadas pelo Correio Braziliense em 17 de outubro de 2004 acabou derretendo essa premissa).

 


Esse obstáculo de largada foi quase sempre driblado com a explicação de que precisávamos gravar a voz dos entrevistados, ainda que repetindo em essência o que estava escrito há um quarto de século, pois nosso objetivo era produzir um documentário de rádio. Não pedíamos, afinal de contas, nem análises inéditas e mirabolantes sobre os fatos nem revelações bombásticas sobre o personagem. Funcionava.

 


Os únicos casos em que essa réplica falhou foram os de José Mindlim e Cláudio Marques. Já com o ex-governador Paulo Egydio Martins, depois de meses de contatos com seu filho Marcos Egydio (iniciados graças à ajuda da aluna da Cásper e repórter do Estadão Marina Faleiros, a quem agradecemos), não chegamos a ter a oportunidade de aplicar nosso apelo baseado na mídia e no modesto propósito da entrevista. No dia 17 de novembro de 2004, às 13h05, sua secretária, dona Rosalina, me dizia ao telefone que “doutor Paulo Egydio não quer falar mais nada sobre o caso Herzog”.

 


O estado de saúde de Jordão – recuperando-se de dois derrames – quase nos fez desistir de tentar um encontro para falar da perda do amigo. Acabou acontecendo em 16 de setembro de 2004, mexeu profundamente com as emoções do Jordão – e com as nossas. Ele deve ter nos atendido por três motivos: porque já havíamos entrevistado Audálio Dantas, em 24 de junho, que nos recomendou; porque éramos orientados pela Verinha, sua amiga de longa data; e porque estávamos produzindo um trabalho de conclusão de curso – de rádio.


Foi Jordão quem nos disse que Weis não falava sobre a morte de Herzog. Fizemos contato por teimosia, até que fui atendido em 27 de outubro (naquele dia a Júlia não conseguiu dispensa do trabalho e eu queimava a última das duas folgas do serviço a que tinha direito neste ano). Se fosse para escrever, e não para gravar, duvido que Weis aceitaria quebrar o recolhimento.